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O que fazer: No consultório
Geralmente, o recém-formado se sente inseguro e tímido com a chegada do primeiro paciente. Não deixe que essa insegurança ou timidez encubra sua capacidade profissional. Atenda o paciente com o devido respeito e atenção, mostre segurança no que está fazendo, mas não tenha medo de demonstrar que se necessário, você buscará informação e orientação antes de prosseguir.
Na primeira consulta, você deve iniciar o prontuário do paciente, solicitando que ele preencha um questionário, que pode ser entregue na sala de espera, enquanto aguarda atendimento.
De posse dessas informações você deve verificar a necessidade de aprofundá-las fazendo anamnese e anotando os fatos importantes para o seu trabalho.
Uma anamnese bem feita permite um diagnóstico preciso o que é essencial para um tratamento satisfatório.
Exame clínico – Consiste em um conjunto de manobras específicas que visam verificar, registrar e interpretar os sinais clínicos e os sintomas referidos pelo paciente, com o objetivo de determinar um diagnóstico, oferecer opções de tratamento e planejar a terapêutica.
Você deve ficar atento e ter anotado aos seguintes itens:
* Identificação – nome, endereço, telefone, profissão, naturalidade, idade.
* Queixa principal - o paciente irá relatar ao profissional o motivo da consulta.
* História da moléstia atual - o que levou ao atual estado clínico do paciente.
* Antecedentes familiares - algumas doenças podem ser hereditárias, ou os descendentes podem ser suscetíveis a elas
*Hábitos - hábitos saudáveis como bochechos e uso de fio dental e os prejudiciais como fumar, roer unha, usar palitos de dente entre outros.
* Expectativas quanto ao tratamento – procure ouvir e viabilizá-las face as condições do paciente e possibilidades técnicas e científicas.
* Diagnóstico, exames realizados (radiografias, modelos etc.) exames complementares solicitados (laboratoriais ou por imagem) avaliação médica se necessária;
* Opções de tratamento, com previsão de custos e orientação das vantagens e desvantagens de cada opção.
* Plano de tratamento com a opção escolhida pelo paciente.
* Ficha com os valores cobrados e a forma de pagamento.
* Relatório de procedimentos - anotações de todos os procedimentos realizados a cada consulta descrito, datado e com o ciente do paciente.
O prontuário é a documentação do seu paciente e de toda a sua atuação profissional em relação a ele.
Nunca se esqueça de olhar o seu paciente como um todo, tendo sempre em mente o dever de cuidado que todo profissional de saúde deve ter ao fazer um exame. Portanto fique atento a qualquer sinal que possa lhe auxiliar no diagnóstico ou no tratamento que irá propor.
Geralmente, quando o assunto é dinheiro, é sempre difícil para os novos dentistas. Eles ficam meio “perdidos”, principalmente quando o paciente é amigo ou parente...
E valores, na verdade, são muito relativos, pois dependem da região em que está o consultório, o tipo de clientela que se tem...
Procure “sondar” a região, perguntar aos colegas quanto cobram, ou mesmo consultar a tabela de valores da CNCC (Comissão Nacional de Convênios e Credenciamentos), através da qual pode-se ter uma referência aproximada dos preços. No site do CFO há uma tabela com valores mínimos e no jornal da APCD de novembro de 2003 foi publicada uma outra, simplificada (ver setor do Departamento de Defesa da Odontologia).
Para quem quer fazer um cálculo mais “personalizado”, segue abaixo como proceder.
O honorário é composto por:
gastos fixos + gastos variáveis + margem de lucro = preçoGastos: custos - diretamente ligados à prestação de serviços, necessários para o trabalho do cirurgião-dentista, material, manutenção de equipamentos, mão-de-obra direta...
despesas - não ligados à prestação de serviços: aluguel da sala, salários, impostos, pró-labore (retirada do Cirurgião-Dentista)
Gastos: fixo - ocorre mesmo sem o dentista trabalhar: secretária, aluguel da sala energia elétrica, pró-labore, IPTU...
variável - quanto mais se produz, mais se gasta: material de consumo e de escritório, comissão, imposto de renda...Lucro é a diferença entre o que se recebe (receita) e o que se gasta (custo/despesa).
Após calcular os honorários tenha sempre presente que o ideal é associar preço com a qualidade de forma a oferecer sempre o melhor serviço pelo preço justo.
Dica importante: acredite no seu trabalho e no seu preço. Não demonstre insegurança, pois muitas vezes o paciente questiona o preço do tratamento porque desconhece o que vai ser realizado todo o material que será utilizado e todo o conhecimento que você necessita para fazer um bom trabalho. Cabe a você mostrar a ele a importância da saúde bucal e o porque de preço cobrado.
Evite conceder descontos e se o fizer só faça com critérios objetivos que justifiquem a redução.
Ao invés de desconto, facilite o pagamento, veja como o paciente quer ou pode pagar. Adapte o tratamento fazendo nova proposta ou agregando mais algum benefício sem alterar o valor.
Cobrar ou não faltas e consultas?
Não há tradição no exercício da odontologia da cobrança de consultas. Portanto, talvez você em início de carreira possa ter alguma dificuldade com a clientela se pretender cobrá-la. Porém isso dependerá de uma avaliação pessoal para verificar da conveniência ou não dessa cobrança. De qualquer forma decidida a cobrança o paciente deve ser informado de imediato para não se sentir enganado ao final da consulta quando receber a cobrança.
Quanto ao pagamento das faltas, para que se efetive há necessidade do conhecimento expresso e prévio do paciente. Assim, poderá constar de contrato se houver, ou mesmo de um folheto informativo do qual o profissional deve arquivar uma cópia com o ciente do paciente.
Quanto aos contratos é importante destacar que, contrato é a manifestação de vontade de duas pessoas capazes com um objetivo comum.
A partir do momento que o paciente senta na cadeira e permite o exame bucal pelo cirurgião-dentista, já está se iniciando uma relação contratual entre ambos, que poderá ou não se efetivar com o início do tratamento. Esta relação não necessita obrigatoriamente de um contrato escrito, embora ele possa facilitar na eventualidade de não recebimento pelo tratamento efetuado.Uma documentação bem elaborada, que contenha todo histórico do relacionamento paciente profissional, com anotações precisas sobre os procedimentos clínicos, mas, também, com as intercorrências que possam ocorrer (faltas, descumprimento de recomendações, etc.) funciona como comprobatória da relação contratual existente, sem obedecer necessariamente a forma rígida e convencional de um contrato, inclusive para recebimento de honorários..
Importante é que essas anotações tenham sempre um ciente do paciente.
Realmente, a vida do recém-formado é cheia de dúvidas, inseguranças, comparações.
Mas não desista, as dificuldades são na realidade desafios que devem ser superados...