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O que fazer: Na atividade clínica
Antes de mais nada para você ter um consultório, necessário se faz escolher com critério o lugar onde quer montar seu consultório. Se perto de casa, em bairros onde passam muitas pessoas, em grandes centros, etc. Pesquise muito antes de escolher. Se puder comprar melhor, pois alugar acaba sendo um dinheiro pago mensalmente, sem retorno.
Antes de comprar ou alugar tome alguns cuidados. Conheça o bairro, verifique a segurança, veja se há estacionamento, facilidade de transporte, localização conveniente ao tipo de trabalho que pretende desenvolver etc.
Após encontrar o lugar certo, planeje seu consultório, o tipo de equipo que vai precisar, de aparelho de RX, a sala de espera e a decoração. Se necessitar peça ajuda a alguém que já montou o seu. Consulte as empresas que vendem equipos e móveis para consultório, eles poderão orientar na disposição mais adequada, nas metragens condizentes,e principalmente no cuidado com a ergonomia.
Não feche negócio de imediato. Faça orçamentos, compare. Compre somente após ter certeza que é o que de melhor suas condições financeiras lhe permitem adquirir.
Feito o planejamento, provavelmente algumas reformas serão necessárias no que diz respeito ao encanamento, parte elétrica (fique de olho na voltagem para que não ocorram acidentes), piso, e tudo o mais indispensável para a montagem de um consultório que atenda as suas necessidades.
Ao refazer o encanamento é recomendável que um profissional em hidráulica ou o próprio instalador do equipo verifique a existência de vazamentos. O ideal seria ter um piso elevado sob o qual pudesse estar toda a fiação elétrica e os encanamentos do consultório.
Prefira acabamentos simples, de fácil limpeza e que não produza poluição visual nem a você e muito menos a seus pacientes.
Quando entregarem seus equipamentos, procure estar sempre presente, pois algumas peças podem chegar danificadas e assim você poderá devolvê-las imediatamente e pedir a reposição.
Quanto à iluminação escolha as que economizem energia e que não produzam barulho no ambiente.
Na hora de escolher seus equipamentos como compressor, por exemplo, verifique que existem dois tipos:
o odontológico e o industrial.
Observe as vantagens e as desvantagens apresentadas por ambos.O odontológico é menor e ocupa menos espaço mas também é mais barulhento. Escolha o que melhor se adequar ao seu consultório. Não se apegue a pequenas diferenças de preços. Se o mais caro for o que melhor se adapta ao seu trabalho escolha-o, pois a diferença de preço no futuro se diluirá na menor manutenção que você se verá obrigado a fazer no aparelho.
Quanto aos equipos examine bem. Existem vários modelos,cores e acessórios. Os modernos são mais completos sendo que alguns já possuem jato de bicarbonato, ultra-som e fotopolimerizador, o que facilita a ergonomia. Se por acaso não vier junto com o equipo, escolha os que melhor atendem as normas de ergonomia. Pesquise bem o preço e o que o equipamento lhe oferece.
Já o aparelho de RX, pode ser com coluna que se movimenta ou de parede. Este economiza espaço.
Faça uma comparação correta antes de se decidir. Enfim os armários. Se puder, escolha os de madeira compensada, que são mais resistentes que os outros.Opte por aquele que tiver maior facilidade de limpeza e que permita melhor acesso aos encanamentos.
Por último, fique alerta. Pesquise sempre com muita paciência e atenção junto ao mercado para não desperdiçar tempo e dinheiro que poderão ser aplicados em outras coisas de importância para o seu exercício profissional e para sua vida.
Realmente essa é uma dúvida que atormenta todo aluno de Odontologia que está nos últimos anos da faculdade. A pressão da família e dos amigos então, nem se fala! De qualquer maneira, o importante é trabalhar, colocar em prática tudo o que aprendeu.
Cabe ao novo cirurgião-dentista decidir, de acordo com sua realidade e seus objetivos profissionais qual o caminho a seguir.
Há alguns que, inicialmente optam por trabalhar em consultórios de outros cirurgiões-dentistas até adquirir mais experiência na profissão e ao mesmo tempo economizar algum dinheiro e ai sim, investir no seu próprio consultório ou clínica..
Nesse caso, fique atento às condições de trabalho e higiene do consultório. Não deixe de verificar também a forma de sua remuneração Geralmente, em consultórios particulares o dentista ganha de 30 a 50% do valor dos tratamentos realizados. No entanto, se tiver que levar seu próprio material de consumo e/ou instrumental o percentual de ganho passa a ser de 60 a 80%.
Atenção: muitos recém-formados, no desespero de não ficar parado e “não perder a mão”, sujeitam-se a trabalhar em clínicas populares durante quase 12 horas por dia de 2ª a sábado, ganhando de 10 a 15% do lucro, sem tempo para fazer cursos de reciclagem, procurar outro emprego ou mesmo relaxar, se divertir...
Além disso ,nesse tipo de clínica geralmente não há aparelhos de RX, nem material adequado que permita ao profissional desenvolver um trabalho adequado e de acordo com as normas de biosegurança e da vigilância sanitária. Em muitos casos tubetes de anestésicos são reaproveitados assim como luvas e agulhas. Os instrumentos são “esterilizados” apenas com um pouco de álcool e.......... o próximo paciente!
De que serve passar por tanto stress, tanta correria e falta de higiene? Só para dizer que atende 30 pacientes por dia? E a qualidade? E a consciência? E o dever de cuidado com o paciente?
Antes de tudo, valorize-se! Não se deixe explorar!
Outro alerta importante: jamais aceite ser responsável técnico desse tipo de clínica. Os donos colocam os recém-formados para trabalhar e assumir todos as responsabilidades e problemas incluindo os processos que venham a ocorrer.
Uma clínica pop só é viável do ponto de vista do exercício profissional com dignidade a partir do momento que presta serviços de boa qualidade, por preços mais acessíveis, àqueles que possuem uma menor renda.Fazer um atendimento digno significa tratar o paciente com toda atenção e cuidado, sem se importar com sua condição sócio econômica.
Não se esqueça, qualquer pessoa, merece tratamento com o mínimo de condições de higiene e bom atendimento. De que adianta passar 4 ou 5 anos na faculdade, com gastos com materiais, cursos, mensalidades, para deixar os bancos acadêmicos e fazer uma “Odontologia às avessas”,, cheia de erros clínicos, mercantilista, onde a preocupação do profissional é só ganhar dinheiro, explorando os pacientes que mal sabem o que ocorre e que tipo de tratamento está recebendo.
Dê importância e atenção ao seu paciente, para que ele aprenda a respeitá-lo como um profissional de saúde cuja preocupação principal é a busca do seu bem estar e de sua saúde bucal e geral.
Por outro lado, se optar por montar seu próprio consultório, tenha em mente que terá muitas despesa, além de muitas responsabilidades e preocupações ( ver capítulo “Como montar seu consultório”).
Mas lembre-se, é o seu próprio negócio. É você que determina sua agenda de trabalho, que tipo de tratamento vai oferecer, que material vai usar. O lucro ou prejuízo também é 100% seu.
No início é normal pintar uma certa insegurança, uma indecisão e até uma certa decepção ou frustração ao constatar - “Gastei tanto e o consultório .....vazio.
Não se preocupe também se ficar indeciso sobre como proceder no diagnóstico ou tratamento de um paciente.
Pesquise o assunto, estude, peça ajuda de um colega mais experiente, consulte o ex professor da área, mas não faça o que não sabe, ou não sente segurança para fazer
Cuidar da saúde exige muita consciência e responsabilidade, aliada ao conhecimento científico. Hoje os pacientes estão muito mais conscientes de seus direitos e os processos contra dentistas estão cada vez mais comuns. Portanto, exerça a profissão que escolheu com amor atenção e responsabilidade, enfrente os obstáculos com serenidade e competência. Seja um bom profissional para a sua comunidade e para você mesmo.
Há ainda a opção de locar um consultório já montado por alguns períodos no dia ou na semana. Você atende seus pacientes, faz o tratamento, estabelece seus preços, mas não precisa investir em montagem de consultório.
É uma forma de ir se adaptando à profissão aos poucos, sem grandes gastos iniciais.
Na hipótese de ter um tempo livre ou mesmo se estiver desempregado, há a possibilidade de fazer trabalho voluntário. Há várias entidades, igrejas, creches ou até a APCD, onde se pode, atendendo a população carente adquirir experiência clínica, e fazer um trabalho de alto alcance social.
Concluindo é preciso admitir que o começo é difícil, e muito. Mas o importante é não desanimar, procurar não ficar parado estudar sempre e trabalhar com consciência, com dignidade, sem vergonha de pedir ajuda quando necessário.
Devagar todo mundo chega lá! É só estabelecer o objetivo e seguir em frente! Boa Sorte!
Valorize seu diploma! Valorize sua profissão! Valorize-se como pessoa!
Apresentamos a seguir alguns dispositivos da Consolidação das Normas para Procedimentos nos Conselhos Odontológicos, aprovada pela Resolução CFO nº 185/93, alterada pela Resolução CFO nº 209/97, que trazem informações que o recém-formado precisa conhecer para iniciar o exercício profissional.
Para informações complementares consulte o CRO de sua região, ou a APCD.Dispõem os artigos mencionados:
Art.1º - Estão obrigados ao registro no Conselho Federal e à inscrição nos Conselhos Regionais de Odontologia em cuja jurisdição estejam estabelecidos ou exerçam suas atividades:
a. os cirurgiões-dentistas;
b. os técnicos em prótese dentária
c. os técnicos em higiene dental;
d. os atendentes de consultório dentário;
e. os auxiliares em prótese dentária;
f. os especialistas ,desde que assim se anunciem ou intitulem;
g. as entidades prestadoras de assistência odontológica;
h. os laboratórios de prótese dentária;
i. os demais profissionais auxiliares que vierem a ter suas ocupações regulamentadas
j. as atividades que vierem a ser,sob qualquer forma ,vinculadas aos Conselhos de Odontologia.
Parágrafo único - É vedado o registro e a inscrição em duas ou mais categorias profissionais, nos Conselhos Federal e Regionais de Odontologia sem a apresentação dos respectivos diplomas ou certificados de conclusão de curso profissionalizante regular.Existem vários tipos de inscrição previstos na referida Resolução, mas a que interessa para o recém-formado é a Inscrição provisória.
A seguir os dispositivos que entendemos importante para o recém formado conhecer:Art.115 - Por inscrição provisória entende-se aquela a que está obrigado o cirurgião-dentista recém-formado, ainda não possuidor de diploma, para exercer atividades odontológicas.
Art.116 - Ao recém-formado, com inscrição provisória, será fornecida cédula provisória, que lhe dará direito ao exercício da profissão pelo prazo de 2 (dois) anos, contados da data de sua colação de grau.
Art.117 - A inscrição provisória será solicitada ao Presidente do Conselho Regional através do requerimento contendo a indicação,no mínimo ,dos dados referidos no inciso I do artigo 113,acompanhado do original de declaração da instituição de ensino odontológico onde se tenha formado ,firmada por autoridade competente e da qual conste,expressamente ,por extenso:nome,nacionalidade,data e local de nascimento e data da colação de grau.
Art.118 - O Conselho Regional, com autorização expressa do Presidente,inscreverá o recém-formado em livro próprio,após o pagamento das obrigações financeiras,comunicando o fato ao Conselho Federal,para fins de controle.
Art.119 - Quando da caducidade da inscrição provisória, o Conselho Regional providenciará, de imediato, o recolhimento e o cancelamento da respectiva cédula e bem assim, a interrupção das atividades profissionais se seu titular, comunicando o fato ao Conselho Federal.
Parágrafo único. Quando da inscrição principal, na vigência da provisória, será recolhida a cédula provisória antes da entrega da carteira de identidade profissional, cancelada a inscrição provisória e comunicando o fato ao Conselho Federal, vedada a cobrança de nova taxa de inscrição.
....................................................................Art.121 - Quando o recém-formado, portador de inscrição provisória, se transferir, de modo permanente, para jurisdição de outro Conselho Regional, este poderá conceder-lhe nova inscrição pelo prazo complementar ao da primeira, após o recolhimento da cédula provisória, a qual será devolvida ao Conselho Regional de origem, observadas as exigências para transferência.
Referência Bibliográfica:
Consolidação das Normas para Procedimentos nos Conselhos de Odontologia – Resolução 185/93 alterada pela Resolução 209/97 - Conselho Federal de Odontologia, 1997, Rio de Janeiro.
Devido à crise generalizada, muitos profissionais se vêem desesperados frente à falta de pacientes e o pagamento dos gastos do consultório e credenciam-se aos convênios.
Porém, vários aspectos importantes passam desapercebidos:
Uma vez que há maior fluxo de pacientes, deve-se ter o máximo de eficiência, maior número de instrumentais, meios de esterilização mais rápidos, organização nos papéis e na clínica, uma boa secretária, etc....
Afinal, é preciso atender de 7 a 10 pacientes de convênio por dia, para ganhar o que se ganharia com um paciente particular. Assim, são gastas mais horas de trabalho, materiais, instrumental, energia elétrica, etc...
Por isso, deve-se analisar muito bem o custo/ benefício desta decisão.
E atenção: ninguém é obrigado a entrar em convênio sem conhecer antes tabelas, normas, contratos, ou seja, toda a documentação que possa informar o que e com quem você está contratando. Por isso, não critique valores e normas de uma empresa na frente do paciente. Você entrou para trabalhar lá porque quis, logo colabore e evite discussões inúteis.
O problema dos convênios é que muitas empresas não conhecem a qualidade dos serviços e condições de trabalho dos dentistas credenciados, querem apenas captar novos usuários. Não se preocupam em valorizar e aperfeiçoar os profissionais. Alguns chegam a cobrar para o dentista colocar o nome no “livrinho”! Para fazer um mísero pagamento após cerca de 2 meses após o término do tratamento...
Por outro lado, muitos dentistas não sabem os custos do consultório e aceitam tal situação sem ver lucros ou prejuízos, na ilusão de que atendendo mais pacientes estarão ganhando muito mais. E seus gastos, suas horas de trabalho, seu cansaço, suas preocupações, também não aumentaram? Vale a pena tanto sacrifício por tão pouco?
Para se ter noção, muitos exigem currículo, no mínimo 3 anos de formado, fotos do consultório, radiografias iniciais e finais, aprovação para realizar o tratamento e depois para receber o pagamento... Exigem tanta coisa e chegam a pagar, muitas vezes, até menos do que se paga nas “famosas” clínicas populares, onde tudo é permitido: reaproveitar luvas, tubetes anestésicos, fazer uma endo sem radiografia, não suturar após uma exodontia...
Aonde vamos? Para que tanta burocracia e exigência para pagar tão pouco? A situação está assim porque ninguém contesta, todos aceitam, calados... Se, antes de cair no desespero, pensássemos no quanto investimos na faculdade, no consultório, nos cursos de aperfeiçoamento, nas contas mensais, estaríamos valorizando mais nossa profissão. Deve ser feito um trabalho digno, remunerado de forma justa.
Importante lembrar que antes de tudo deve-se verificar a idoneidade da operadora e do convênio propriamente dito, consultando a ANS (Agência de Saúde Suplementar), para saber do registro e da regularidade de atuação da empresa. Além disso, ler com muita atenção o contrato de credenciamento, observar prazo e multa para rescisão contratual, ver se a operadora possui sede própria, se concorda com as diretrizes clínicas para procedimentos( deve ter fundamento técnico e científico), qual o profissional responsável pela parte administrativa e profissional ( muitas vezes é uma simples atendente telefônica que “resolve” os problemas...)
Devemos estar atentos, privilegiar operadoras idôneas (raríssimas), impedindo o amadorismo na área.Conhecer nossos direitos e deveres e denunciar empresas ilegais ou que atuam em discordância, junto a ANS e CRO. Isso faz parte do exercício de cidadania que devemos ter também como profissionais de saúde.
É fundamental nos unirmos e desfazer aquela imagem do dentista associada à dor e que o tratamento odontológico é caro. Se o paciente é bem atendido e percebe o resultado de um trabalho bem feito, além de concordar com o preço, certamente voltará e indicará o dentista para outros. Nada mais satisfatório para um profissional do que a fidelidade do paciente... Não é aquele que escolheu “qualquer um do livrinho”, e sim, o que realmente gostou do seu trabalho.
Portanto, pense bem se trabalhar para um convênio realmente vale a pena.Se após tudo analisado ainda julgar interessante se credenciar, escolha aquele que for mais conveniente e confiável, seja em termos financeiro, seja em oferta de condições de trabalho. Analise os gastos mensais e veja quanto é preciso para manter o consultório e exercer dignamente a profissão e só aceite o credenciamento se estiver dentro dos seus parâmetros. A maioria oferece baixo pagamento e demora no reembolso. Fique atento!
Sites: www.ans.gov.br; e-mail: ans@ans.org.br
www.procon.sp.gov.br
www.crosp.org.br
www.cfo.org.brBIBLIOGRAFIA:
- Neto AR, Varella MA, Tamoto M. Você acha que conhece tudo sobre convênio? Espelho clínico 2002 Fev; VI (30): 6
- Montenegro F L B. Convênios odontológicos: uma saída para crise? JADA 1999 Abr; 2(2): 79-80