O CIOSP completa 50 anos em 2007. - 9/2006

O Congressão é considerado hoje um dos maiores eventos da Odontologia mundial e segundo o presidente de sua 25ª edição, Raphael Baldacci Filho, a receita de sucesso "continuará a mesma"

Em entrevista ao APCD jornal, o Presidente do 25º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, Raphael Baldacci Filho, fala sobre os novos rumos do CIOSP e sobre a confiança depositada nele pelo presidente da APCD, Silvio Jorge Cecchetto.

APCD Jornal - Dr. Baldacci, como o senhor reagiu ao convite feito pelo presidente da APDC, Silvio Jorge Cecchetto, para presidir o 25º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo?

Dr. Baldacci - Decepcionado com o que ocorria na administração anterior, havia me afastado totalmente dos problemas que afetavam a APCD. Houve, em um determinado instante, a tentativa de eu ser responsabilizado, pelos ex-dirigentes, das dificuldades administrativas pelas quais passavam a entidade; estas foram previstas por mim até em carta. Participei tanto quanto pude da campanha para eleição do presidente Silvio. Procurei em toda a campanha demonstrar a realidade do que ocorria em nossa entidade e, como conseqüência, se eu merecesse crédito, aconteceria o que aconteceu: o reagrupamento de toda a equipe que sempre me apoiou. Com a credibilidade demonstrada com o resultado da eleição, me senti apoiado para motivar nossa coletividade a participar da necessária reabilitação da credibilidade da direção da APCD junto aos associados, empresários e autoridades. Durante todo o período ao qual me referi, a confiança recíproca entre o presidente Silvio e eu, que sempre foi muito grande, apenas mais se estreitou. Neste momento de grande responsabilidade para todos nós, frente à grande expectativa gerada no quadro associativo, eu não podia faltar ao convite feito.

APCD Jornal - Que responsabilidade tão grande é essa, dr. Baldacci?

Dr. Baldacci - Em sua entrevista, o presidente Silvio disse da precária saúde financeira da APCD. Os balancetes publicados nesta edição do jornal e o do mês de junho, já encaminhado ao Conselho Fiscal, comprovam claramente as dificuldades. Havia me disposto a colaborar em tudo que pudesse para nossa reabilitação financeira, inclusive na reabilitação do próprio credenciamento da entidade como filantrópica. Ao ser identificado, pelo presidente Silvio, que os recursos do 25º CIOSP já foram necessários para fazer frente às despesas de custeio mensal da entidade, todos verificamos a dependência que nos apresentavam para a administração, e, obrigatoriamente, necessitamos de ações para tentar diminuir progressivamente o déficit mensal existente com o intuito de que, em janeiro próximo, tivéssemos os recursos necessários para fazer frente aos custos do próprio 25º CIOSP. Claro, que para essa ação, era necessária a reciprocidade de confiança de toda a direção dos órgãos da APCD. Por essa razão aceitei o desafio. A responsabilidade é grande mas tenho confiança que, com o trabalho, e a união das forças responsáveis como a que está procurando aglutinar o presidente Silvio, conseguiremos superar mais esse obstáculo.

APCD Jornal - Quais foram as suas primeiras medidas à frente do Congressão?

Dr. Baldacci - Após a demissão do ex-presidente do 25º CIOSP por infringência estatutária e problemas até de ordem ética, e, por conseqüência, dos membros da comissão organizadora central, procuramos verificar o que havia sido realizado pelos dirigentes anteriores para que pudéssemos dar continuidade às ações necessárias ao pleno sucesso do Congressão. Citemos alguns aspectos que priorizamos:

- Verificamos os espaços vendidos às empresas na comercialização realizada no mês de março. Ocorreu com sucesso, como tradicionalmente acontece, pelo prestígio e tradição do Congressão, tanto na área nacional como internacional. Como os critérios de venda e a própria comercialização foram acompanhados pelo dr. Salvador Nunes Gentil, presidente do 22° e 23° CIOSP e atual diretor do departamento de Congressos e Feiras, procuramos conhecer o resultado financeiro previsto, sua realidade atual em função de possíveis concessões, permutas, inadimplências e retiradas para cobrir despesas de custeio da própria entidade. Determinamos as medidas necessárias para diminuição ou se possível zerar a inadimplência.

- Verificamos a absoluta inexistência de divulgação do 25º CIOSP até então, à exceção das inseridas no APCD Jornal. O logotipo havia sido escolhido, mas, folderes, cadernetas ou até papel de ofícios e envelopes para correspondência não haviam.

- Nenhum contato com entidades conveniadas, quer nacionais ou internacionais, para participação ou sugestões na estruturação do evento.

- Nenhum contato com faculdades de Odontologia para a participação docente e discente no 25º CIOSP. Nenhum contato com as nossas Regionais no incentivo da participação dos associados.

- Na área científica, nos deparamos com convites apressadamente feitos a professores e ministradores, sem definição de temas ou forma de participação, com solicitação da resposta dos interessados com prazos limitados para suas definições, ficando caracterizado pela densidade de convites em determinadas áreas e a falta de critérios quando dos convites realizados.

- Examinamos a proposta orçamentária que ainda não estava aprovada pela Diretoria e verificamos a necessidade de adaptações em função dos problemas pelos quais passa hoje o próprio congresso e a entidade.

- Participando da reunião da Abimo, pudemos ouvir e conhecer a opinião dos empresários em relação ao 24º CIOSP, sugestões com relação ao 25º, que afirmamos aos associados daquela entidade que desejamos caracterizar o evento em especial por ser o jubileu de ouro dos nossos congressos.

APCD Jornal - Como o senhor constituiu a Comissão Organizadora Central do 25º CIOSP e as comissões auxiliares?

Dr. Baldacci - Com os elementos conhecidos, fizemos as adaptações necessárias no quadro funcional em termos de experiência e confiança, e efetivamos os convites aos colegas que desejávamos que integrassem a Comissão Organizadora Central - COC. Os nomes foram enviados para análise do diretor do DeCoFe, dr. Salvador Gentil, que estatutariamente encaminhou ao presidente Silvio para a sua aprovação e da Diretoria.

A COC ficou assim constituída:
Secretaria-Geral:
Ricardo de Andrade;
Tesouraria-Geral: Paulo Vianna Mesquita;
Coordenadora Científica: Mary Caroline Skelton Macedo;
Coordenadora de Montagem e Instalação: Elizabeth Pinto Callegari;
Coordenador Promocional Internacional: Everaldo Alves Nazareth Junior;
Coordenador Promocional Nacional: Carlos Alberto Oliveira Battaglini;
Assessores da Presidência: André Callegari, Anderson Conte, Danilo Bresser Bezzar, Fábio Yukio Matsubara.

Algumas comissões já foram criadas e outras ainda estão em estudo para, em conjunto, podermos cumprir a tradição: cada versão do Congressão terá de ser melhor que a anterior. As comissões já criadas e a Secretaria Executiva são:

Coordenadora Executiva: Lia Raquel Motilinsky;
Comissão de Atendimento ao Congressista: Danilo Pelegrino (coordenador);
Comissão do Criançódromo: Ielsy Becci Silvério Darcie (coordenadora);
Comissão Encontro Nacional de Acadêmicos de Odontologia: Renato Fenezin Leite (coordenador);
Comissão Praça de Alimentação: Cláudio Darcie (coordenador).

APCD Jornal - O Congressão é considerado hoje um dos maiores eventos da Odontologia mundial. A "receita de sucesso" vai continuar a mesma ou o senhor pretende mudar alguma coisa?

Dr. Baldacci - A receita continuará a mesma, apenas com a influência natural dos que estarão no seu comando. Desejamos um congresso de congraçamento, descontraído, alegre, que nas atividades científicas como nas outras atividades oferecidas, social, cultural, lazer ou a comercial, possam os congressistas e também seus acompanhantes se sentirem plenamente integrados e satisfeitos suas expectativas.

APCD Jornal - O que terá para acadêmicos e recém-formados?

Dr. Baldacci - Estamos visitando as faculdades de Odontologia, incentivando os acadêmicos ao ingresso nos quadros associativos como forma de fortalecimento da entidade na defesa dos interesses da Odontologia. Desejamos também que haja uma participação por acadêmicos nunca atingida nos congressos anteriores. Visitaremos a maioria das faculdades, inclusive as do interior. Por entendimentos mantidos com a direção da UniSantana, recuperamos a possibilidade de alojarmos gratuitamente os acadêmicos que assim desejarem. Estamos propondo também o transporte a custos excepcionais. A programação científica irá atendê-los, bem como uma programação social para a Praça de Alimentação e nas baladas, com possível transporte que atenderá o interesse de todos.

APCD Jornal - No site do Congressão, o senhor afirma que "Falar da história do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, é, na verdade, falar também da própria história de crescimento da APCD." Conte-nos um pouco dessa mescla de conquistas.

Dr. Baldacci - Quando você verifica a realização do primeiro congresso de Odontologia Paulista em 1957, na Praça Patriarca, na sua Galeria Prestes Maia, e a criação da Escola de Aperfeiçoamento Profissional praticamente no mesmo ano, com a compra e reforma da nossa primeira sede própria, na rua Humaitá, em fins da década de 60, e a partir de 1960, o congresso ser realizado bienalmente com o nome de Congresso Paulista de Odontologia, dão bem a idéia do crescimento comum entre o crescimento da APCD e de seu congresso. Também a mudança do Palácio para o Pavilhão do Anhembi e sua internacionalização ocorreram exatamente com a nossa mudança de sede para a Praça Campo de Bagatelle, em nosso Ginásio de Esportes e posteriormente com a nova sede na Voluntários da Pátria, com o congresso projetado internacionalmente, fazendo jus ao nome de Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo - CIOSP. Poderíamos detalhar os fatos que sempre ocorreram paralelamente, mas, foi a luta permanente e continuada dos colegas que nos precederam na direção das versões anteriores é que fizeram a projeção do Congressão como o mais completo do mundo. Desejo e irei propor à COC a constituição de um Comitê de Honra para uma homenagem merecida àqueles que, trabalhando tanto, projetaram a nossa entidade no campo odontológico nacional e internacional.

APCD Jornal - O senhor que já andou por "todos" os cantos do mundo, freqüentando os mais diversos eventos de Odontologia, o que tem a dizer sobre o Congresso da APCD? O que o senhor já ouviu falar sobre o CIOSP?

Dr. Baldacci - Hoje o Congressão é tido com o mais completo congresso no mundo. Como feira, nada se compara à Colônia (Alemanha). Como congresso, somos realmente o que melhor se apresenta até como imagem plástica de sua feira, que realmente influiu na evolução de todas as outras feiras apresentadas hoje nos grandes congressos mundiais. Precisamos continuar nos divulgando, nos relacionando com entidades internacionais, criando novas atrações e liderarmos na América Latina as atividades odontológicas, tanto na pesquisa, como nas mais avançadas técnicas para tratamento e prevenção das moléstias bucais. Junto com os empresários, produzimos equipamentos e instrumentos de acordo com a realidade sócio-econômica da América Latina. São esses os fatores que garantirão sempre ao Congressão e ao Brasil continuarem a ser expoentes da Odontologia na apreciação mundial.

Fonte apcd online