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APCD: 95 anos de inúmeras lutas e conquistas a favor da Odontologia. - 4/2006 |
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Há quase um século, a
Odontologia de São Paulo começava a escrever sua história com a fundação da
Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. Início do século XX. O
progresso da Revolução Industrial chegava ao Brasil. Duas revoltas deixaram o
Rio de Janeiro um pandemônio: a da Vacina e a da Chibata. A chegada de Hermes
da Fonseca à presidência, em 1910, colocava em xeque a "República do
café-com-leite", dominada pelas oligarquias liberais de Minas Gerais e
São Paulo, vinculadas à agro-exportação.
Em meio a tantas transformações na economia e na política do país, a reduzida
comunidade odontológica paulistana aspirava à fundação de sua entidade
representativa. Os objetivos consistiam na integração da classe, no
investimento na capacidade do profissional e na oferta de serviços com mais
qualidade na área da saúde bucal à população.
Porém, tendo em vista a
urgente necessidade de regulamentar a profissão, em 1º de abril de 1911, a
história da Odontologia de São Paulo começa a ser escrita, verdadeiramente,
com a fundação da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. No mesmo ano,
a APCD lançou o primeiro número de sua Revista Odontologia Brasileira. Uma
das publicações científicas odontológicas mais conceituadas do país até hoje. Sob o comando e a
liderança do Cirurgião-Dentista, Gustavo Pires de Andrade, que presidiu a
entidade durante seis anos, a principal luta da APCD foi a
regulamentação da profissão junto ao Congresso Estadual. Nessa época, a sede
da entidade teve dois endereços, ambos no centro da cidade de São Paulo: rua Barão de Itapetininga e, depois, rua São Bento. Os anos se passaram.
Estoura a Revolução de 1930, depois a Revolução Constitucionalista de 1932 e
uma soma de fatos acarretam na promulgação da nova Constituição Federal em
1934, que previa a participação popular nas assembléias legislativas por
categorias profissionais, bem como a formação de sindicatos. Foi nessa
tumultuada década do decreto do Estado Novo, pelo então presidente Vargas,
que outros grandes progressos foram alcançados, como a criação do Sindicato
dos Odontologistas de São Paulo e do Conselho Científico da APCD, cujo
objetivo era divulgar o conhecimento por meio de palestras e conferências. Anos 1940. O mundo
presenciou um dos maiores conflitos bélicos até
então já vistos. A Segunda Guerra Mundial chegava ao fim, assolando diversas
regiões da Europa. Os países do Eixo, liderados pela Alemanha de Hitler, são
derrotados pelos países aliados, encabeçados pelos Estados Unidos. No Brasil,
nova Constituição e o povo festeja o retorno à
democracia. Nesse mesmo período, acentuava-se a necessidade de uma
fiscalização mais rigorosa para o controle do exercício profissional da
classe odontológica.
No início da década de
1950, os brasileiros choram a derrota, na final da Copa do Mundo, do Brasil
para o Uruguai, em pleno Maracanã. Mas, a Odontologia paulista tem o que
comemorar com a criação da Escola de Aperfeiçoamento Profissional (EAP), na
APCD, pelo então presidente da entidade, Francisco Py.
Em julho de 1955, ano em que o presidente Juscelino Kubitschek assumiria as
rédeas do país, a EAP é inaugurada, dotada de um consultório para aulas
demonstrativas. Em 1957, acontece o 1º Congresso Odontológico Paulista. 1960 - A luta pela
primeira sede própria A história não pára por
aí. O sucesso do congresso e a expansão da APCD trouxeram novas aspirações -
o desejo e a necessidade de uma nova sede, mais ampla e própria. Na década em que o mundo
se viu dividido em capitalista e socialista - a chamada Guerra Fria, mesmo
período em que a Ditadura Militar se instaura no Brasil por meio de um golpe,
a APCD dá mais uma demonstração de sua força. Os associados se unem em prol
da compra de um imóvel para instalar a primeira sede própria da APCD. Uma
grande campanha é desenvolvida ao longo de algumas gestões para a compra e
reforma da sede social da entidade, localizada na rua
Humaitá, quase esquina com a av. Brigadeiro Luiz Antonio, centro da capital
paulista. A "Campanha do Metro Quadrado" mobilizou muitos
associados e teve um grande sucesso. Com o lema "a classe coopera e luta
quando a causa é nobre", foi possível realizar uma extensa reforma da
sede. A começar pela EAP, que foi ampliada e modernizada para atender, em
maior escala e gratuitamente, pacientes carentes. Ação que, desde o começo,
foi um dos grandes diferenciais da APCD em relação às demais entidades de
classe. Vale ressaltar também que
em 1964, a APCD teve efetiva participação na luta pela criação do Conselho
Federal de Odontologia. Mais um órgão para lutar
pelos direitos da classe e regulamentar a profissão. Em janeiro de 1970, foi
criado o 1º Pronto-Socorro Odontológico gratuito para a população paulistana;
uma iniciativa pioneira que rendeu muitas matérias na imprensa da cidade de
São Paulo. Ao lado da entidade, o
Congresso Odontológico Paulista, que foi realizado pela primeira vez em 1957,
para reunir profissionais e instituições da área, também crescia e passou a
ser chamado de Congresso Paulista de Odontologia. A partir de 1970, começa a
ser realizado bienalmente, sem interrupção. Cada vez, com maior adesão da
classe odontológica. Em 2001, tamanho sucesso, tradição e repercussão em
níveis nacional e mundial levam à realização anual do Congresso Internacional
de Odontologia de São Paulo (CIOSP). Hoje, um dos eventos mais respeitados na
Odontologia Mundial, que se supera a cada ano em qualidade e recorde de
público. Anos 90 - A saga para
a construção da nova sede Desde sua fundação até a
década de 1990, foram inúmeras as conquistas e realizações da APCD nos
âmbitos municipais, estaduais e federal. Mas, os
anos 1990, em especial, são lembrados pelo longo e árduo trabalho que
culminou na concretização de um sonho.
Um grande sonho que se
tornou realidade no novo milênio. Mais um capítulo importante para a história
da entidade. O crescente sucesso dos
congressos, a credibilidade adquirida com as empresas, a confiança dos
associados e o resultado de uma administração séria e responsável permitiram
novas aspirações que foram ficando maiores e mais ambiciosas. A principal
delas: a edificação da nova sede. Foram necessários 15 anos de muito empenho
de todos os associados, mas principalmente da direção da APCD para vencer os
obstáculos da construção da atual sede. Nesse caminho, ficou evidente o
empenho pessoal dos idealistas e pioneiros desse projeto que estiveram à
frente da entidade. Num momento em que o
Brasil retorna à democracia após anos de ditadura e conquista maior
credibilidade e visibilidade no cenário político e econômico mundial, o
destaque para este capítulo da história da APCD é para a persistente e
notória contribuição de Raphael Baldacci
Filho, desde a concepção do projeto até a concretização da construção da nova
sede. Foi por seu intermédio
que a entidade obteve, em 1988, em comodato por 50 anos, um terreno de 5.400 m², com o então prefeito Jânio Quadros, situado entre a rua Voluntários da Pátria e a Praça Campo de Bagatelle, zona norte de São Paulo. Nomeado presidente da
Comissão de Obras, Baldacci acompanhou todos os
detalhes do projeto. Iniciadas as obras e já como presidente da APCD, Baldacci conseguiu a concessão de mais 2.500 m².
Alguns percalços surgiram
no meio dessa trajetória. Pendências junto à prefeitura de São Paulo
dificultaram o prosseguimento da obra e obrigaram a alteração dos planos,
interrompendo a construção do prédio principal em três anos. Baldacci não se intimidou e priorizou a construção do
Ginásio de Esportes e do Pronto-Socorro, que ocupavam o terreno da Praça
Campo de Bagatelle, concluídos em 1993. Toda a área
administrativa da entidade foi transferida para o subsolo do prédio do
Ginásio de Esportes, o que possibilitou uma reforma total da sede da Humaitá,
transformando-a inteiramente para abrigar a EAP com seus novos consultórios,
laboratórios, um centro cirúrgico com uma sala ambulatorial, duas salas de
cirurgia e diversas salas de aula. Dessa forma, foi possível expandir o
número de cursos e o atendimento à população. Hoje, a Humaitá é responsável
pela formação de THDs e
também foi reformulada para atender a essa nova missão, após o convênio
assinado com o Ministério da Saúde, no final de 2002. Em julho de 1996, com a
Comissão de Obras já nomeada, a revisão do projeto pronta, o planejamento
financeiro aprovado, a extensão do comodato para 90 anos sancionado por lei
pelo então prefeito Paulo Maluf, e a reabilitação do alvará para a construção
da nova sede foi possível dar continuidade ao sonho. E o melhor: de maneira
segura e transparente para todos os associados de uma geração que vivenciaram
os sacrifícios e investimentos para a realização desse feito. A luta constante por
recursos e o empenho diário nas obras culminaram na consolidação do objetivo
inicial. Finalmente, em dezembro de 2000, a prefeitura concedeu o
"habite-se" e o edifício estava pronto. A saga chegara ao fim. Mais
de 19.000 m² de área construída. Em 2002, foi realizada a
inauguração oficial da Nova Sede da Associação Paulista de
Cirurgiões-Dentistas com a presença do então presidente da República,
Fernando Henrique Cardoso. A Odontologia paulista, enfim, tinha muito o que comemorar. Hoje, ao celebrar 95
anos, a APCD reafirma seu papel de entidade comprometida com a classe
odontológica e com o fortalecimento da Odontologia paulista e brasileira.
Representada em todo o Estado de São Paulo, por meio de suas Regionais e
núcleos, a cada dia se empenha mais e mais para oferecer o que há de melhor
aos seus mais de 40 mil associados. Escrito por: Bruna
Oliveira Fonte Site da APCD |