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O Assédio Sexual no Consultório Odontológico

Assédio sexual é um tipo de coerção de caráter sexual praticada geralmente por uma pessoa em posição hierárquica superior em relação a um subordinado (o contrário também pode acontecer, que é o caso do presente artigo), normalmente em local de trabalho ou ambiente acadêmico; consiste em manifestações implícitas ou explícitas de forma constante, de cunho sexual ou sensual, sem que a vítima as deseje. Ou seja: é "forçar a barra" para conseguir favores sexuais e é crime previsto pelo Código Brasileiro.
Essa atitude pode ser somente insinuada ou falada; sutil ou clara; explicitada em gestos ou escrita, enfim, existe uma gama de caracterizações para o assédio sexual e o abordarei com os profissionais da Odontologia.
É muito comum escutar de profissionais desta área que em muitos casos fazem mais do que seu papel de dentista e cumprir a tarefa de fazer um tratamento bucal muitos dizem sentir-se como ''psicólogos'' de seus pacientes, pois estes contam de suas vidas, dividem problemas, alegrias e preocupações. às vezes, um simples toque ou um singelo elogio, a explicação e a demonstração dos procedimentos a serem utilizados na consulta, passando a confiança para o paciente, podem também ser interpretadas de outra maneira; inclusive a vestimenta, toda de branca, que passa uma imagem de higiene, limpeza e que de certa forma predomina diversas fantasias em algumas profissões. O atendimento odontológico normalmente ocorre somente com o profissional e paciente na sala, a posição do próprio atendimento, no caso do cirurgião dentista inclinado sobre o paciente, incita uma relação subjetiva de dominador e dominado que pode despertar algum desejo de qualquer uma das partes, seja esse desejo real ou fantasioso. Há uma aproximação dos olhos, da face, mexe-se a boca, que é um espaço íntimo e que pode causar certo constrangimento por quem é atendido por ter inúmeras representações do seu imaginário.

Existem diversos artigos explorando este tema, mas a maioria trata do profissional assediando o paciente, o contrário não é explorado, mas não significa que não ocorra e com mais frequência do que se possa imaginar. O que ? Como prevenir qualquer tipo de mal entendido que possa se estabelecer, criar um constrangimento, sem ter consequências desastrosas para ambas as partes? Bem, essas questões não são fáceis de serem respondidas, visto que um estudo realizado por Garbin, Rovida e Silva (2009) demonstrou que muitos destes profissionais não estão preparados para lidar com esta situação.

Este estudo consistiu em avaliar a ocorrência de assédio sexual a estes profissionais na cidade de Araçatuba que frequentavam cursos de especialização em associações neste município; foram abordados 80 dentistas, mas só 43 aceitaram participar e dentro destes, 20% afirmam já terem sofrido abuso sexual e relataram não saber que atitude tomarem. Como o próprio estudo de Garbim (2009) sugere, é necessário criar um protocolo de providências tomadas diante do assédio e também protocolos de prevenção.

Claro que a maioria dos pacientes que procuram o cirurgião-dentista são pessoas idôneas, que estão em busca somente de um tratamento bucal adequado, mas como dito acima, este lugar que o paciente ocupa de subordinado ao dentista pode ser exatamente o lugar que ele procura e isto pode levar o mesmo a ter comportamentos de cunho sexual para realizar suas próprias fantasias sexuais doentias. Outra possibilidade, pode ocorrer de ser um paciente dito ''carente'', solitário e que o mínimo de atenção e cuidados recebidos podem ser levados com uma insinuação de um afeto de outra ordem além da profissional, a busca deste contato, de ser escutado em suas necessidades é muito comum e não acontece somente em consultórios odontológicos. O fato de a vítima sentir-se envergonhada e até culpada, mesmo sendo de conhecimento público de que os procedimentos realizados pelo cirurgião-dentista exigem uma postura de aproximação (nos diversos sentidos da palavra), não ter como provar o assédio sofrido na grandíssima maioria dos casos dificulta que estes comportamentos sejam coibidos de maneira mais severa, visto que o dentista está lá somente para fazer seu trabalho e não para ''atender'' necessidades distorcidas de seus pacientes.

Existem cuidados que o profissional pode ter para evitar algum mal entendido, como por exemplo, sempre que for realizar algum procedimento avisar o paciente, para que não seja pego de ''surpresa'', mesmo sendo algo comum no seu dia a dia; tenha precaução na liberdade que dá ao paciente, as pessoas são diferentes e isso pode ocasionar problemas futuros; ao notar que o paciente está insinuando alguma situação mais próxima além da relação profissional-paciente e que o deixe desconfortável, o dentista pode encaminhar o paciente paras outro colega ou, se ocorrer algo mais grave, deve denunciar o ocorrido a polícia, visto que trata-se de um crime e como já dito, os orgãos de classe necessitam pensar e criar protocolos para que o cirurgião dentista sinta-se seguro e saiba como proceder caso venha a ser assediado.

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